Da FGV CDMC para o mundo: Luca Escopelli, talento em matemática, segue para mestrado em Londres
Bolsista do CDMC, Luca agora inicia uma nova etapa na London School of Economics.
Aos 12 anos, o talento do gaúcho Luca Escopelli para desafios matemáticos já se destacava. Foi nessa idade que ele conquistou a primeira de sete medalhas em olimpíadas de matemática ao longo da vida escolar - seis ouros e uma prata.
A dedicação de Luca aos estudos chamou a atenção do Centro para o Desenvolvimento da Matemática e Ciências (FGV CDMC), que em 2019 o convidou, ainda no terceiro ano do ensino médio, a prestar o vestibular da Fundação Getulio Vargas (FGV). O convite lhe deu a chance de concorrer a uma bolsa integral, com todas as despesas pagas, para estudar no Rio de Janeiro, uma oportunidade que mudou o rumo de sua vida. Até então, Luca se preparava para concorrer a uma vaga no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), mas decidiu abraçar o novo desafio.
“Eu estudava em um colégio voltado para vestibulares de engenharia em instituições públicas, mas no fundo sabia que não era exatamente o que eu queria. Quando recebi o convite do CDMC, fiquei muito feliz com a possibilidade de estudar em uma instituição de excelência como a FGV”, relembra.
Luca também destaca que a estrutura e o ambiente proporcionados pelo CDMC tiveram papel essencial em sua formação. “A rede de apoio é muito forte e contribuiu de forma decisiva para o meu desenvolvimento, tanto acadêmico quanto pessoal”, afirma.

Aos 12 anos, Luca passou no concurso e ingressou no Colégio Militar de Porto Alegre, cujo ensino é considerado de excelência | Imagem: Arquivo pessoal
Uma trajetória construída com dedicação
Natural de Porto Alegre e filho único de uma contadora e de um piloto de avião, Luca sempre foi incentivado pelos pais, que investiram em sua preparação para prestar o concorrido processo seletivo do Colégio Militar de Porto Alegre, referência em ensino básico. Após dois anos de estudo, foi aprovado, e iniciou na sexta série do ensino fundamental, passando a viver uma rotina que exigia disciplina e responsabilidade, com aulas que ensinavam conduta e respeito à hierarquia.
Já no segundo ano do ensino médio, e se destacando nas competições de matemática, recebeu o convite para estudar com bolsa no tradicional Colégio Farias Brito, em Fortaleza, reconhecido nacionalmente pelos altos índices de aprovação no ITA. A mudança para o Nordeste, apesar de representar um grande desafio, acabou colocando-o em contato com jovens talentos de todo o Brasil, fazendo reacender sua paixão por desafios acadêmicos.
“Lá os alunos se preparavam para a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), algo que eu não havia considerado antes, por exemplo", lembra.
Quando estava no auge da preparação para os vestibulares, Luca recebeu um email do CDMC, lhe oferecendo a possibilidade de cursar uma graduação da FGV Rio, oportunidade que ele acabou abraçando. Na época, Luca optou por cursar Economia, por acreditar que era o curso que mais se aproximava de seu perfil.

“A nossa participação na International Mathematics Competition, em 2023, na Bulgária, é o que eu tenho mais orgulho da minha trajetória”, conta o jovem | Imagem: Arquivo pessoal
A volta para a matemática
Depois de cursar três semestres de Economia, Luca se deu conta de que as disciplinas de base matemática eram aquelas que realmente o motivavam. Em 2020, decidiu migrar para o curso de Matemática Aplicada da Escola de Matemática Aplicada (FGV EMAp), onde encontrou o ambiente ideal para desenvolver seu potencial.
“Eu ia muito bem em cálculo, álgebra linear e probabilidade, matérias que faziam meus olhos brilharem, enquanto nas disciplinas mais ligadas à economia eu precisava estudar demais e mesmo assim não tinha o mesmo rendimento. Foi aí que entendi que deveria me concentrar no que realmente gostava e tinha potencial”, conta.
Durante a graduação, participou de três edições da International Mathematics Competition (IMC), incluindo uma presencial na Bulgária, experiência que inspirou a criação do Clube Olímpico da FGV EMAp. "Essa foi uma das minhas maiores conquistas e me deu ainda mais confiança para seguir na área", lembra.
Antes mesmo de se formar, Luca começou a atuar em um fundo quantitativo no Rio de Janeiro, aplicando na prática o que aprendia em sala de aula. Em pouco tempo, foi promovido a analista sênior, desenvolvendo modelos matemáticos e de inteligência artificial para o mercado financeiro.
Agora, aos 25 anos, Luca se prepara para uma nova etapa: em setembro, se muda para Londres para iniciar o mestrado em Métodos Quantitativos para Gerenciamento de Riscos na London School of Economics (LSE).
"O CDMC foi a porta de entrada para tudo isso. Se não fosse pelo convite, talvez eu nunca tivesse conhecido a FGV ou descoberto o quanto a matemática poderia abrir caminhos para mim", conclui Luca.

Luca começa este mês uma nova jornada de estudos na London School of Economics (LSE), em Londres | Imagem: Arquivo pessoal