Egresso da FGV CDMC conquista segundo lugar no Prêmio MapBiomas
Pesquisa de Shai Vaz propõe modelo microeconômico.
O jovem pesquisador Shai Vaz, ex-bolsista do Centro para o Desenvolvimento da Matemática e Ciências (FGV CDMC), formado em Economia pela Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV EPGE), conquistou o 2º lugar na categoria Jovem do 7º Prêmio MapBiomas. A pesquisa, realizada em 2024 como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), desenvolveu um modelo microeconômico para avaliar como a melhoria na qualidade das pastagens pode influenciar a produtividade pecuária e reduzir a conversão de vegetação nativa. Para alimentar esse modelo e analisar os possíveis impactos ambientais, foram utilizados dados do MapBiomas, uma iniciativa que utiliza imagens de satélite para monitorar o uso do solo no Brasil. Esses dados incluem informações detalhadas sobre a transformação de vegetação nativa em pastagens e sobre a qualidade dessas áreas ao longo do país.
O tema “A recuperação de pastagens pode conter o desmatamento no Brasil?” surgiu a partir de uma sugestão do professor Marcelo Sant’Anna, que ministra aulas com conteúdo que se conecta ao interesse do estudante por questões ambientais. Essa disposição, aliás, vem de longa data: ainda no ensino médio, Shai participou de uma ONG ambiental no interior do Rio de Janeiro e, desde então, nutre o desejo de contribuir com soluções sustentáveis para o mundo.

Formado em economia, o ex-aluno da FGV também cursou dois anos de Ciências Sociais na instituição | Foto: Arquivo Pessoal
A importância da FGV CDMC na formação de Shai
Embora tenha se formado em Economia, a trajetória de Shai na FGV não começou ali. Ele ingressou inicialmente no curso de Ciências Sociais, motivado por seu interesse em entender como a sociedade se organiza e se transforma. No entanto, ao longo do caminho, descobriu na Economia uma ferramenta mais precisa para analisar e enfrentar os desafios sociais e ambientais que sempre o mobilizaram. A decisão de prestar novamente o vestibular e mudar de curso exigiu coragem, e foi viabilizada graças ao Centro para o Desenvolvimento da Matemática e Ciências (FGV CDMC). O centro ofereceu não apenas bolsas de estudos, mas também um pacote completo de suporte, com auxílio moradia, manutenção e acompanhamento próximo, permitindo que ele pudesse se dedicar exclusivamente à formação. “O que o CDMC faz de melhor é garantir todo o suporte para que os alunos possam focar nos estudos”, afirma o pesquisador. Para ele, esse acolhimento foi essencial. “Sou muito grato por terem me dado a oportunidade de começar de novo”, completa.

Do interior do Rio de Janeiro ao palco do MapBiomas: Shai Vaz compartilha os resultados de sua pesquisa sobre sustentabilidade na agropecuária | Foto: Arquivo Pessoal
Um projeto da graduação com impacto acadêmico
A contribuição do trabalho, no entanto, foi além dos dados e modelos. Para o ex-aluno, o projeto teve um peso pessoal importante. “Foi o primeiro trabalho de Economia que tentou responder essa pergunta com base em um modelo econômico sustentado por dados reais, mas para mim significou muito mais”, relembra. A conquista do segundo lugar na competição nacional promovida pela rede MapBiomas veio como reconhecimento não apenas acadêmico, mas também de uma trajetória marcada por recomeços e persistência.
Apresentar o TCC no MapBiomas User Summit, evento realizado nos dias 7 e 8 de julho no Insper, em São Paulo, que reuniu especialistas e pesquisadores em monitoramento do uso da terra, também foi uma experiência marcante. “Foi muito legal, motivador. Me deu mais ideias e vontade de continuar pesquisando nessa área”, contou. O projeto agora deve seguir ganhando forma: a ideia é transformá-lo em um artigo acadêmico, em coautoria com o orientador, ao longo dos próximos anos.
Para Shai, a recompensa pela pesquisa foi mais do que um prêmio. Foi um sinal de que valeu a pena recomeçar. Do interior do Rio à FGV, da dúvida ao TCC premiado, ele construiu uma trajetória feita de persistência, apoio e vontade de transformar o mundo por meio da ciência. Agora, com novos planos e ideias no horizonte, ele segue determinado a ampliar esse impacto.
Atualmente, Shai está se preparando para ingressar em um mestrado na área de Economia, com interesse especial em temas ligados à microeconomia aplicada ao meio ambiente. A paixão pela pesquisa, que começou ainda na juventude, segue como força motriz. “Quero continuar contribuindo com estudos que ajudem a pensar o desenvolvimento de forma mais sustentável”, conclui.