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Entre o cerrado, o Japão e a FGV: a história de dedicação e conquista de Larissa Lemos Afonso

Da zona rural de Goiás ao topo do vestibular, aluna se destaca em Ciência de Dados e IA.

Durante boa parte da adolescência, Larissa Lemos Afonso saía todos os dias da zona rural de Hidrolândia, cidade da região metropolitana de Goiânia, rumo à capital. O destino? Escolas e cursos que, apesar da distância, ajudaram a construir a base de conhecimento que a levaria ao 2º lugar no vestibular de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Hoje, aos 20 anos e no 3º ano da graduação, ela é uma das alunas que mais se destacam em um curso novíssimo, desafiador e repleto de perspectivas — tanto no campo profissional quanto na pesquisa acadêmica. Sua trajetória é um exemplo de como o Programa Seleção de Talentos, promovido pelo Centro para o Desenvolvimento da Matemática e Ciências (FGV CDMC) – pode transformar trajetórias e vidas.

Filha de servidores da Universidade Federal de Goiás (UFG) — o pai professor e a mãe psicóloga —, Larissa nasceu em Goiânia, mas viveu transitando entre cidades e regiões durante a infância, incluindo uma temporada no Tocantins. Aos 11 anos, voltou para Goiás, desta vez para morar em Hidrolândia, porque a mãe havia passado em um concurso na capital. Mesmo vivendo na zona rural, a prioridade da família era garantir a ela uma educação de excelência. Foi então que começaram os deslocamentos diários e cansativos para Goiânia.

O esforço compensou: desde o 9º ano do Ensino Fundamental, ela teve bolsa integral por desempenho em escolas privadas e passou a se destacar academicamente — especialmente em Matemática.

O talento lapidado pelas Olimpíadas

O gosto pela Matemática veio aos poucos. No 6º ano, uma professora carismática despertou seu interesse. No 7º, outro professor identificou sua aptidão e a incentivou com Olimpíadas e livros. Foi o início de uma jornada paralela de aprofundamento e desafios, que renderia à estudante cerca de 20 medalhas até o Ensino Médio.

“Eu fazia Olimpíada de tudo: Linguística, Raciocínio Lógico, História, Química, Física. Mas meu melhor desempenho foi em Matemática mesmo. Foi a matéria à qual mais me dediquei”, diz.

“Eu fazia Olimpíada de tudo: Linguística, Raciocínio Lógico, História, Química, Física. Mas meu melhor desempenho foi em Matemática mesmo. Foi a matéria à qual mais me dediquei”, diz.

Larissa também participou por anos dos Polos Olímpicos de Treinamento Intensivo (POTI), onde construiu não só uma base sólida na disciplina como também uma rede de contatos que, no futuro, seria decisiva para sua entrada na FGV.

Entre letras e algoritmos: a escolha da graduação

Apesar de seu talento em Matemática e Ciências Exatas, Larissa sempre teve uma queda pelas Humanas. Durante o Ensino Médio, chegou a considerar cursos como Letras ou História, mas foi a afinidade com dados, lógica e economia que a levaram à escolha final: Ciência de Dados e Inteligência Artificial, na Escola de Matemática Aplicada da FGV (FGV EMAp).

No processo seletivo, foi aprovada com destaque em duas instituições de ponta: ficou em 2º lugar na FGV e em 3º lugar na PUC-Rio, esta última para o curso de Ciência da Computação. Optou pela FGV, tanto pela proposta do curso — mais voltado à aplicação de dados em diversas áreas — quanto pelo apoio oferecido pelo Programa Seleção de Talentos da FGV CDMC, que garantiu não só a bolsa integral como também auxílio para manutenção mensal.

CDIA

A decisão foi estratégica e coerente com seus interesses da época: além de enxergar na FGV uma formação sólida, Larissa acreditava que o curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial abriria mais caminhos em áreas como fintechs e economia aplicada, onde vislumbrava seu futuro profissional naquele momento.

Nesse mesmo período, um amigo das Olimpíadas, que estudava na FGV, lhe apresentou o CDMC e explicou como funcionava o processo. A recomendação pessoal, somada ao histórico acadêmico e às conquistas em competições científicas, consolidou sua entrada na universidade.

“Ele escreveu uma carta de recomendação e me explicou como funcionava o programa. Juntei isso com minhas medalhas e o fato de ter tido bolsa integral por mérito durante todo o Ensino Médio — e consegui passar para a FGV CDMC”, relembra a goiana, que foi contatada pela equipe do programa na segunda metade do 3º ano do Ensino Médio.

Entre números e ideogramas: o sonho de ir para o Japão

Se a Matemática moldou a vida acadêmica de Larissa, a cultura japonesa foi sua paixão paralela. Desde pequena, frequentava a Associação Nipo-Brasileira de Goiânia. Aprendeu japonês, prestou concursos de oratória e chegou ao N2 (já caracterizado como nível de fluência) de proficiência na língua. “Por muito tempo, meu plano era estudar no Japão. Fiz até a prova do MEXT (Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia), mas não passei. Foi aí que decidi ficar no Brasil”, conta.

Hoje, o Japão continua nos seus planos. Larissa quer concluir a graduação, fazer mestrado na FGV e depois seguir para o doutorado no país asiático. “Minha iniciação científica é na área de Geometria da Informação, que tem muitos pesquisadores japoneses. Saber disso me deixou ainda mais empolgada. Não é só um sonho aleatório: é um caminho possível”, analisa a estudante de graduação.

Hoje, o Japão continua nos seus planos. Larissa quer concluir a graduação, fazer mestrado na FGV e depois seguir para o doutorado no país asiático. “Minha iniciação científica é na área de Geometria da Informação, que tem muitos pesquisadores japoneses. Saber disso me deixou ainda mais empolgada. Não é só um sonho aleatório: é um caminho possível”, analisa a estudante de graduação.

Um programa que muda vidas

Larissa vê sua história como um exemplo do que o Programa Seleção de Talentos pode fazer por jovens talentos de todo o país. “É um projeto muito pioneiro. Dá a possibilidade de estudar e viver no Rio de Janeiro, mesmo sem ter condições financeiras para isso. É difícil, sim, mas a convivência com professores e colegas tão qualificados é transformadora”, opina.

Segundo ela, há um ‘antes e depois’ de entrar na FGV. “A qualidade acadêmica é impressionante. Os alunos são muito inteligentes e interessados, e isso torna o ambiente de aprendizado ainda mais estimulante. Sem dúvida, é uma experiência que muda vidas”, conclui a goiana.

Hoje, Larissa Lemos Afonso segue trilhando um caminho promissor, entre algoritmos e ideogramas, dados e sonhos. De Hidrolândia e Goiânia para o mundo, ela representa uma geração de estudantes brasileiros que encontram na FGV CDMC uma ponte para o futuro — construída com talento, dedicação e oportunidade.